Regresso às rotinas: encontrar um ritmo possível depois das férias
- há 4 dias
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O fim das férias e o regresso às rotinas trazem mudanças para toda a família. Regressam os horários, a escola, o trabalho, as atividades, os compromissos e muitas das pequenas tarefas que organizam os dias.
É também uma altura em que surge frequentemente vontade de reorganizar. Dormir melhor, voltar a fazer exercício, recuperar hábitos, começar uma atividade, organizar a casa, gerir melhor o tempo. Com as crianças e os adolescentes, aparecem decisões semelhantes: horários, atividades extracurriculares, estudo, sono, ecrãs, tempos em família.
Esta vontade de recomeçar pode ser uma oportunidade para pensar sobre a forma como estamos a viver. E talvez uma das perguntas mais interessantes seja: ao que queremos realmente regressar?
Rotinas que ajudam a organizar os dias
As rotinas têm uma função importante: previsibilidade ajuda crianças e adultos a antecipar o que vai acontecer, organiza os diferentes momentos do dia e pode trazer uma sensação de segurança e continuidade.
Depois de um período de férias, recuperar gradualmente horários de sono, refeições, escola ou trabalho pode ajudar o corpo e a mente a reencontrarem um ritmo.
No entanto, vale a pena olhar para as rotinas para além daquilo que aparece na agenda. Há hábitos que nos fizeram bem e que gostaríamos de recuperar. Há outros que fomos mantendo por inércia e que talvez já não sirvam da mesma forma. E também há coisas que gostaríamos de acrescentar, mas para as quais os nossos dias podem não ter, neste momento, espaço suficiente.
Uma mudança sustentável precisa de caber nos dias reais.
Crianças e adolescentes também precisam de tempo para regressar
Para uma criança, setembro pode significar voltar a acordar cedo, reencontrar colegas, conhecer professores, adaptar-se a uma nova sala, retomar atividades e voltar a passar muitas horas fora de casa. Para um adolescente, pode juntar-se a tudo isto uma exigência académica crescente, mudanças nas relações, maior autonomia e a necessidade de voltar a gerir diferentes responsabilidades.
Alguns regressos são vividos com entusiasmo, outros precisam de mais tempo. Nos primeiros dias, pode ser útil observar como cada criança ou adolescente está a fazer esta transição: o sono, o cansaço, a irritabilidade, a vontade de ir para a escola, o tempo de que precisa para descansar e a forma como fala sobre aquilo que está a acontecer. A estrutura é importante, mas também o são os momentos em que não há nada para cumprir.
E os adultos?
O regresso também acontece para os adultos. Setembro pode trazer a sensação de que chegou o momento de recuperar tudo aquilo que ficou para depois. E rapidamente os dias voltam a encher-se. Talvez possamos usar este início de ciclo para fazer algumas escolhas: o que queremos recuperar porque sabemos que nos faz bem? O que ocupava demasiado espaço? O que gostaríamos de fazer de forma diferente? O que conseguimos realmente sustentar tendo em conta o trabalho, a família, o descanso e os imprevistos que fazem parte da vida?
As respostas serão diferentes para cada pessoa e para cada família. Encontrar um ritmo possível implica também perceber os nossos limites, fazer escolhas e deixar algum espaço disponível nos dias.
Regressar com mais calma
Uma rotina suficientemente boa ajuda-nos a organizar a vida sem a preencher por completo. Ao regressarmos, podemos observar aquilo de que sentimos falta, aquilo que queremos preservar das férias e aquilo que gostaríamos de fazer de outra maneira. Algumas mudanças podem começar agora, outras podem esperar.
Setembro oferece-nos uma oportunidade para voltar a olhar para os nossos dias e escolher, com alguma intenção, aquilo a que queremos regressar. E fazer esse regresso com calma.
Este texto nasceu a partir da newsletter da Clínica Dasein:
todos os meses partilhamos uma reflexão sobre psicologia, relações, família e os diferentes momentos da vida.
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