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Dar Tempo ou 4 Propostas para uma Parentalidade mais tranquila

 

     Os olhos dos pais brilham quando se recordam dos primeiros tempos de bebé do filho – essa altura em que cada sorriso, cada gargalhada, cada mais ínfima expressão era alvo de contemplação e observação detalhada. Cada minuto e cada segundo podia ser vivido em todo o seu potencial. E havia tempo. Tempo para parar. Tempo para reparar.

     À medida que as crianças vão crescendo, que ganham a sua autonomia física e psicológica, é fácil os pais “não terem mãos a medir” com tudo aquilo que se lhes impõe no dia a dia, desde o correr atrás da criança para garantir que não se magoa, o reintegrar do trabalho na rotina, o acumular de tarefas que se vão empilhando dia após dia... Quando o grande objetivo se torna sair a tempo de casa para poder deixar a criança na escola e depois seguir à pressa para o trabalho, é possível que não se repare o engraçado que é o filho a tentar tirar o pijama que fica preso na cabeça e transformar-se num pequeno fantasminha por escassos segundos. A primeira vez que conseguiu calçar os sapatos. A expressão quando ainda dorme antes de acordar de manhã. Perder estes momentos é perder muito, pois não voltam. E deixar-se embrulhar numa sequência infernal de “coisas” para fazer, obrigações em sequência que não conhecem um fim, torna-se fatal e rotineiro.

     Assim, a proposta que fica é a de deixar o início do ano ser uma ótima “desculpa” para tomar decisões e fazer algumas pequenas alterações no dia a dia. Para que seja possível (re) ganhar os tais momentos:

 

    -  Estar no Momento, mais do que Fazer

É muito importante poder deixar de colocar sempre o foco nas pequenas obrigações do dia a dia e conseguir parar. Parar para ver, com "olhos de ver" : a criança a desembrulhar um presente, com os olhos brilhantes de entusiasmo; a tentar pentear o cabelo; a despertar de manhã; a frase tão importante que nos quer dizer quando o que é preciso é não chegar atrasado; ou mesmo a carinha de “birra” com que brinda os pais todas as manhãs. Parar e registar na memória: são tudo estreias, primeiras vezes, primeiras tentativas, tão importantes como os primeiros passos e as primeiras palavras.

 

    -  Uma Coisa de Cada Vez

É fácil ficar saturado com as exigências do dia a dia e com as próprias exigências do crescimento e do comportamento dos filhos. A criança não ouve, porta-se mal, são os pais que elevam a voz, a palmada que às vezes sai, as lágrimas, os pais a sentirem que falharam em alguma coisa... Mais uma vez, parar e tentar estabelecer prioridades pode ser fundamental para perceber qual a origem do problema. Redirecionar energias para compartimentar a situação e não a ver de forma tão ameaçadora e pesada, e tentar estabelecer pequenos passos para atingir um objetivo é de certeza mais importante do que passar os dias a culpabilizar-se por tudo o que corre menos bem. Por vezes, um pequeno distanciamento pode ser o suficiente para perceber que uma birra que termina diariamente em “calamidade” familiar tem, afinal, origem nos vinte minutos que a criança se tem deitado mais tarde na noite anterior, na ansiedade resultante de estarmos a apressá-la demasiado de manhã ou ainda de algum medo que até poderia ser facilmente resolvido com uma simples conversa.

 

Foto de Jordan Christian

 

   -  Ser o Exemplo

Os pais ensinam os filhos através do que lhes dizem, mas sobretudo eles aprendem com o que os pais fazem. É altura de refletir se se está a dar um bom exemplo pois aos olhos dos filhos, os pais são, todos os dias, o ponto de referência para tudo, desde como se comportar ao que dizer, do que sentir medo ou em quem confiar, ou mesmo como demonstrar emoções. Ser o exemplo é uma excelente maneira de ensinar um comportamento positivo e quanto mais conscientes disso os pais estiverem, melhor, sobretudo no que toca ao modo como fazem ou ensinam as coisas: não é pouco habitual os pais deixarem as suas emoções fugirem ao seu controlo enquanto dizem aos filhos para não fazer birras... ou gritar bem alto “Pára de gritar!”...

 

    - Dar Tempo

Tudo o que foi referido acima só é possível com Tempo... Não é preciso muito, pois é certo que também não se consegue dar o que por vezes não se tem... Mas se for possível os Pais darem aos seus filhos um “Tempo especial”, ou seja, quinze a vinte minutos de atenção contínua, é significativamente melhor do que dar um minuto aqui e outro ali aleatoriamente ao longo de duas horas. Este é o Tempo realmente importante: aquele que é gratificante para ambos, em que pai/mãe e filho desfrutam da companhia um do outro. A atividade escolhida não é o mais relevante, o essencial é a atenção que não se divide e não se dispersa.

 

     Para tal, é preciso aprender a Estar no Momento ( e assim voltamos ao primeiro ponto!) – concentrar-se no que se está a fazer no presente e largar por uns instantes as dores de ontem e as preocupações de amanhã. Claro que é impossível impedir estes pensamentos de surgirem, mas é possível, quando aparecem, que possamos voltar a colocá-los na gaveta só mais uns instantes e aproveitar estes momentos irrepetíveis só mais um pouco...

 

     Votos de um Excelente Ano!

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