clinicadaseinclinicadaseinhttps://www.clinicadasein.pt/blogPorque a rotina importa...]]>Sofia Alves da Silva, Psicólogahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2020/06/04/Porque-a-rotina-importahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2020/06/04/Porque-a-rotina-importaThu, 04 Jun 2020 14:41:02 +0000
Que a rotina estável e coerente é fundamental para um crescimento harmonioso, claramente relacionada com o bem estar, saúde e desenvolvimento emocional e cognitivo de cada um de nós, e das crianças em especial, é um facto comummente conhecido e aceite.
Contudo, afinal o que é isto das rotinas, tão referidas e sublinhadas atualmente? Rotinas não são mais do que hábitos, ações e gestos repetidos ciclicamente ao longo dos dias. Se atentarmos bem no nosso quotidiano, reparamos que, de fato, o dia a dia está repleto de atividades, momentos, períodos, até expressões, repetidas que fazem já parte da vida, não fazendo sentido não estarem presentes e que estranharíamos se alguma vez deixassem de aparecer (como aliás, tivemos oportunidade de experienciar no momento conturbado que vivemos). Uma rotina é um plano, uma estrutura do dia a dia, uma espécie de mapa que nos ajuda a “encaixar” tudo o que temos e gostamos de fazer na nossa vida quotidianamente. Para além de ser extremamente organizador, permite que nos mantenhamos focados nas prioridades, gerir o o que falta fazer, encontrar espaço para o trabalho e para o lazer, ganhar tempo, tornando mais previsível e, portanto, mais seguro, o enquadramento de qualquer novidade que naturalmente poderá ir surgindo.
No contexto do desenvolvimento infantil, a importância das rotinas ganha ainda mais expressão. De fato, as crianças sentem-se mais seguras quando o dia a dia é previsível. Quando o adulto consegue promover um ambiente seguro, a criança aprende que pode confiar no seu meio e nos outros para tomarem conta de si e para satisfazerem as suas necessidades, sentindo-se, assim, mais tranquilas e descontraídas para poder explorar o seu mundo e, consequentemente, aprender a ser e a estar. Uma rotina bem estabelecida confere estabilidade à criança – a sua ainda curta disponibilização da atenção, associada a todas as competências e aprendizagens que adquire nos primeiros anos de vida significam que que se podem sentir frequentemente sobrestimuladas, sentindo-se por vezes incapazes de cooperar e de se organizar – estruturar o dia permite à criança sentir-se mais segura por saber o que se vai passar em cada parte do dia. O “antes” e o “depois” podem ser especialmente importantes uma vez que a concepção de tempo é ainda algo limitada nas crianças, sendo-lhes mais fácil organizar o seu dia por eventos, acontecimentos ou momentos, do que propriamente por horas e minutos. As rotinas ajudam também a criança a desenvolver uma maior capacidade de auto-controlo, uma vez que aprendem que têm de esperar um determinado tempo para realizar uma qualquer atividade. Desenvolvem também um sentido de autonomia e de independência permitindo à criança desenvolver cada vez mais atividades sem precisar sempre da ajuda do adulto.
A rotina assume especial importância em alguns momentos mais difíceis do dia, tais como a hora de dormir, acordar ou vestir-se de manhã, ou ainda outros momentos de transição. Quando existe uma rotina estabelecida, existe menos espaço para argumentos ou discussões, uma vez que as expectativas em relação a determinado comportamento são tomadas como garantidas, reduzindo também o stress associado a estes momentos. A construção de uma rotina pode começar pela seleção de prioridades, pela criação de momentos que a família pretende que existam no seu dia, como:
- Ter, pelo menos, uma refeição em família (pode até ser o pequeno almoço) e criar uma série de hábitos em redor deste momento, desde não atender a porta ou o telefone durante a refeição, partilha de expectativas para o dia, distribuir funções para colocar a mesa pronta para a refeição, não acender a televisão, ou verem em conjunto um programa do agrado de todos,...
- Criar um ritual de hora de dormir, definindo o que se faz antes e depois, contar uma história, falar sobre o dia e o que mais se gostou de fazer (simultaneamente a criança está a desenvolver a linguagem, a expressão, a memória, a noção de sequência temporal, entre outras competências).
- Incluir “facilitadores de transições”, isto é, avisar que daí a 10 minutos se vão começar a preparar para ir para a cama e que é altura de vestir o pijama, ou explicar que a criança pode terminar a brincadeira em 5 minutos para depois irem lavar as mãos e ir jantar.
- Criar em conjunto estímulos visuais que possam ajudar na implementação dos vários passos da rotina, tais como cartões com imagens que ilustrem o pequeno almoço, lavar os dentes, higiene, etc, para a rotina da manhã, por exemplo.
Como com qualquer regra, também deve haver excepção e é muito importante que as rotinas não sejam demasiado rígidas. Na realidade uma da funções das rotinas é salvaguardar espaços para novidades e imprevistos. Estar demasiado dependente de uma rotina pode ser tão prejudicial como não a ter de todo – se não existe espaço para alterar, mudar e sair da rotina, qualquer imprevisto ou novidade pode ser facilmente interpretado como uma ameaça, gerando grande insegurança. As mudanças devem ser tratadas com naturalidade e conversadas com a criança - “costumamos fazer x, mas hoje vamos fazer y porque...”, “a forma como temos feito x não está a resultar, por isso a partir de hoje vamos fazer y”.
Construir uma rotina leva certamente o seu tempo. A estrutura diária do quotidiano de cada família deve ser construída pela própria família. Pode ter em conta opiniões de familiares, especialistas, livros, “com conta, peso e medida”, pois deve basear-se fundamentalmente nas necessidades e características dos seus membros. A informação exterior é sempre bem vinda, mas sempre sujeita a um juízo crítico e a uma adaptação à realidade concreta de cada criança e de cada família. A comparação é inevitável, mas é importante deixar prevalecer a confiança que cada mãe/pai tem nas suas competências enquanto cuidador e na sua capacidade de ponderar decisões em relação ao que é melhor para os seus filhos, mantendo, como é obvio, toda a abertura possível à ajuda e apoio que possam obter.
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Para noites mais tranquilas...]]>Sofia Alves da Silva, Psicólogahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2020/04/24/Para-noites-mais-tranquilashttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2020/04/24/Para-noites-mais-tranquilasFri, 24 Apr 2020 15:10:13 +0000]]>Brincar, sempre!]]>Inês Santos, Terapeuta da Falahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2020/04/17/Brincar-semprehttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2020/04/17/Brincar-sempreFri, 17 Apr 2020 14:56:25 +0000
O brincar é uma atividade importante em todas as etapas da nossa vida, porém, é na infância que esta tem maior relevância e um papel essencial, não só como uma atividade lúdica e de prazer, como também de aprendizagem.
Ao brincar, a criança está a assimilar um conjunto de noções da realidade de modo intuitivo e axiomático, uma vez que, enquanto os seus processos cognitivos estão a desenvolver-se, ela está alheia com uma brincadeira que gosta, que lhe dá prazer e que lhe desperta a atenção, provocando assim uma resposta emocional e positiva. Através da brincadeira e dos jogos a criança enfrenta novos desafios e é reportada para novos espaços de compreensão que a irão encorajar e incentivar na continuação do seu progresso, crescimento e na sua aprendizagem.
No que respeita à aquisição e desenvolvimento da linguagem e suas regras, a criança adquire-as através da brincadeira e das figuras e modelos que a rodeiam, sejam elas pais, professores e/ou pares. As atividades lúdicas são por isso o melhor caminho de interação e aprendizagem, ajudando a desenvolver novas formas de (re)construção de conhecimento e do pensamento.
É através da brincadeira que a criança expressa a sua linguagem, seja por meio de gestos, expressões e/ou atitudes, as quais estão repletas de significado “No processo de aquisição da linguagem, a criança extrai as regras da língua da comunidade onde está inserida e com elas constrói o seu próprio conhecimento.” (Sim-Sim, Silva & Nunes, 2008).
Exemplos de atividades que podem ajudar a estimular o desenvolvimento da Comunicação, Linguagem compreensiva e expressiva e/ou Articulação:
- Música e Canções:
O ponto de partida para o seu ensino é a imitação. A criança começa por imitar os sons percebidos e vai aprendendo a cantar, ao ouvir o adulto, da mesma forma que aprendeu a falar. O canto surge, na maioria das vezes, espontaneamente, pois a criança não só gosta de cantar, como também tem uma grande tendência para improvisar e inventar novas canções. As canções ajudam também a desenvolver a componente de Rima, léxico, divisão silábica, entre outras.
Cantar é uma forma de expressão apoiada, maioritariamente, pela palavra, pelo que a mesma deverá ser expressa o mais corretamente possível antes de ser cantada. Podem por isso ser realizados primeiro, jogos de articulação, onomatopeias, acentuação, divisão silábica e/ou respiração.
As canções e músicas ajudam ainda a desenvolver a memória e, nas crianças em idade pré-escolar e escolar, podem ser realizadas atividades mais elaboradas como a procura de determinado som na canção e associá-lo à letra correspondente e/ou, a criança pode ser o detetive de palavras e tentar contar o número de palavras que determinada canção tem. Pode ainda encontrar rimas e inventar novas.
- Histórias / Leitura:
“A literatura é o conjunto de manifestações e atividades que têm como veículo a palavra, mas com um toque artístico e criativo.”
A aproximação à leitura deve ser fomentada desde a mais tenra idade, mesmo que a criança não saiba ler, pois se os livros tiverem ilustrações, a criança pode e consegue comentar a imagem/ desenho que está a ver.
O envolvimento dos pais nesta atividade é fundamental e, através das histórias, é possível despertar o interesse e motivar a criança a novas aprendizagens, bem como promover a aquisição e o desenvolvimento da linguagem oral. Isto é possível através do diálogo sobre o conto onde, em conjunto, podem falar e comentar diversas componentes:
- Comentar as imagens
- Falar sobre a história em si
- Identificar e nomear cores e formas
- Perceber o significado de novas palavras
- Organizar por categorias algumas imagens ou palavras da história (animais)
- Formar famílias de palavras
- Apelar à compreensão da história (quem era a personagem principal)
- Estimular a produção de alguns sons
- Falar sobre as paisagens e associar às estações do ano, bem como à componente sensorial (frio, calor) e, posteriormente, à roupa que podem usar
- Comparar personagens (género, alto/baixo)
- Estimular os opostos (alto/baixo, dentro/fora)
- Apelar aos plurais regulares e irregulares (gato/gatos; avião/aviões)
Além disso podem inventar outra história a partir da que leram; continuando-a ou inventando outra mas usando uma personagem da história que a criança gostou muito e, filmar, como se fosse um teatro ou um filme.
As adivinhas, trava-línguas e rimas são também atividades de leitura estimulantes mas, tal como os livros, a criança não necessita saber ler para que possamos envolve-las nessas atividades.
“A brincadeira e a criação de situações imaginárias surge da tensão da pessoa e da sociedade. O lúdico liberta a criança das amarras da realidade.”
(Vygotsky, 1989)
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Iniciar um 3º período diferente]]>Sofia Alves da Silva, Psicólogahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2020/04/17/Iniciar-um-3%C2%BA-per%C3%ADodo-diferentehttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2020/04/17/Iniciar-um-3%C2%BA-per%C3%ADodo-diferenteFri, 17 Apr 2020 14:22:15 +0000]]>Musicoterapia Neurológica]]>Luísa Toledo, Musicoterapeutahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2019/11/08/Musicoterapia-Neurol%C3%B3gicahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2019/11/08/Musicoterapia-Neurol%C3%B3gicaFri, 08 Nov 2019 00:04:00 +0000
Como o cérebro reage à música
A música constitui uma ferramenta que pode ser utilizada como uma modalidade alternativa e terapêutica para aceder a funções que não se encontram normalmente disponíveis através de outros estímulos (terapias não musicais, por exemplo) ou para fornecer outras vias de transmissão para o processamento de informações no cérebro. Estudos empíricos recentes dizem-nos que a música tem a capacidade para estimular determinados processos no cérebro humano que poderão ser generalizados e transferidos para funções não musicais, tendo como resultado efeitos terapêuticos mensuráveis (Altenmüller & Schlaug, 2013; Bringas et al., 2015; Schlaug, 2011; Sluming et al., 2002; Thaut, 2005). Tal é possível porque atualmente sabemos que o cérebro reage à música na sua globalidade, sendo esta processada em variadas partes, por exemplo através da escuta de música que ativa não só as áreas auditivas, como também redes extensas em todo o cérebro.
Um grande responsável pela existência dessas redes cerebrais consiste no giro frontal inferior posterior (a chamada área de Broca), a área que executa a receção multimodal e integração sensório-motora. Galińska (2015) demonstrou que durante atividades musicais, o giro frontal inferior posterior fica ativado quando alguém ouve, vê ou executa ações específicas e que a prática musical implica o exercitar desta componente. A associação de ações a determinados sons, assim como a prática musical de pessoas que não se encontram ligadas à música conduzem a mudanças funcionais e estruturais nos córtices frontais (Altenmüller & Schlaug, 2013; Fujioka et al., 2006; Schlaug, 2011), visto que ocorre uma transferência de competências adquiridas, potenciando-se uma melhoria do funcionamento comportamental e cognitivo: a literatura tem designado este processo por plasticidade intermodal do cérebro (Münte et al., 2002; Schlaug, 2011). Assim, desta interação entre música e o seu processamento em várias áreas do cérebro desenvolve-se uma via para a incorporação de conexões adicionais, o que se torna de grande utilidade e relevância em clientes com doenças neurológicas.
Musicoterapia e cognição
Uma definição mais precisa do conceito de Musicoterapia é a utilização da música para modificar processos cerebrais, envolvendo a atenção e o interesse do paciente, tal como a confirmação desse efeito de envolvimento e as suas consequências. Este conceito de Musicoterapia em contextos neurológicos foi documentado, standardizado e recebeu um diagnóstico neurocientífico atribuído por Thaut e Mcintosh (2010) e Thaut e Hoemberg (2014) - criando um campo de atuação conhecido como Musicoterapia Neurológica (NMT), que fornece uma epistemologia sistemática para investigação em música e reabilitação.
Os protocolos de Musicoterapia Neurológica aplicam-se tanto a adultos como a crianças com um espectro de patologias e deficiências neuropsicológicas variado, coincidindo com a revisão recente e abrangente de estudos de Yinger e Gooding (2014) que, ao avaliarem o impacto da Musicoterapia em ambiente neuropediátrico, defendem que é uma especialidade de utilização geral que poderá ser aplicada a uma ampla variedade de distúrbios.
No domínio da reabilitação cognitiva, a utilização terapêutica da música funciona como um elemento que aciona a memória e a recordação de informações, revelando ser uma ajuda preciosa para clientes com danos cerebrais e do foro neurológico (Gervin, 1991; Jäncke, 2008; Prickett, 2000).
Por entre as técnicas musicoterapêuticas mais utilizadas em intervenções com enfoque na reabilitação cognitiva, encontramos a improvisação e a criação de canções como recursos empregues para recuperar funções reflexivo-executivas, dado que nestas atividades são requeridas competências de velocidade de processamento da informação, de organização, autocontrole, flexibilidade cognitiva e criatividade (Thaut et al., 2009; Tomaino, 2013). A escuta de canções e posterior troca de ideias, quando a comunicação verbal com o paciente é exequível, consiste noutra técnica aplicada pelos musicoterapeutas para avaliarem as competências de escuta, memória de informação, foco atencional, concentração e pensamento abstrato dos clientes.
O estudo de caso de Bower, Catroppa, Grocke e Shoemark (2014) adiciona outro conhecimento importante ao existente nesta área pela descrição e definição dos comportamentos de resposta à familiaridade com a música numa sessão de musicoterapia. Neste estudo experimental, foram utilizadas e reproduzidas apenas canções familiares e do gosto da criança paciente (com ou sem acompanhamento de guitarra clássica) como técnica de intervenção pelo musicoterapeuta. Os resultados demonstraram períodos breves, porém consistentes e repetidos, de consciência e capacidade de resposta ao canto ao vivo das canções conhecidas e potenciaram momentos de consciência emergente e uma resposta antecipada da paciente, promovendo a sua reabilitação cognitiva na fase aguda do seu pós-traumatismo craniano.
Frequentemente, a musicoterapia recorre também a atividades que envolvam instrumentos de percussão para trabalhar aspetos relacionados com a atenção (atenção sustentada, atenção seletiva, atenção alternada), orientação, iniciação de movimento, gestão da impulsividade e/ou persistência na realização de tarefas (Thaut, 2005).
Referências
Altenmüller, E., & Schlaug, G. (2013). Neurologic music therapy: The beneficial effects of music making on neurorehabilitation. Acoustical Science and Technology, 34(1), 5– 12. doi:10.1250/ast.34.5.
Bower, J., Catroppa, C., Grocke, D., & Shoemark, H. (2014). Music therapy for early cognitive rehabilitation post-childhood TBI: An intrinsic mixed methods case study. Developmental Neurorehabilitation, 17(5), 339-346. doi: 10.3109/17518423.2013.778910.
Bringas, M.L., Zaldivar, M., Rojas, P.A., Martinez-Montes, K., Chongo, D.M., Ortega, M.A., Galvizu, R., Perez, A.E., Morales, L.M., Maragoto, C., Vera, H., Galan, L., Besson, M. & Valdes-Sosa, P.A. (2015). Effectiveness of music therapy as an aid to neurorestoration of children with severe neurological disorders. Frontiers in Neuroscience. 9: 427, 1-15. doi: 10.3389/fnins.2015.00427.
Fujioka, T., Ross, B., Kakigi, R., Pantev, C. & Trainor, L.J (2006). One year of musical training affects development of auditory cortical-evoked fields in young children. Brain, 129, 2593–2608.
Galińska, E. (2015). Music therapy in neurological rehabilitation settings. Psychiatria Polska, 49(4), 835–846. doi: http://dx.doi.org/10.12740/PP/25557.
Gervin, A.P. (1991). Music Therapy Compensatory Technique Utilizing Song Lyrics during Dressing to Promote Independence in the Patient with a Brain Injury. Music Therapy Perspectives, 9 (1), 87–90. doi: https://doi.org/10.1093/mtp/9.1.87.
Jäncke, L. (2008). Music, memory and emotion. Journal of Biology, 7(21), 1-5. doi: http://dx.doi.org/10.1186/jbiol82.
Münte, T., Altenmüller, E., & Jäncke, L. (2002). The musician’s brain as a model of neuroplasticity. Nature Reviews Neuroscience, 3, 473–478. doi: 10.1038/nrn843.
Prickett, C. A. (2000). Music therapy for older people: Research comes of age across two decades. In D. S. Smith (Ed.), Effectiveness of music therapy procedures: A documentation of research and clinical practice, Silver Spring, MD: American Music Therapy Association, 297–322.
Schlaug, G. (2011). Music, musicians, and brain plasticity. In: Hallam S, Cross I, Thaut M. ed. The Oxford handbook of music psychology. Oxford, New York: Oxford University Press, 197–207.
Sluming, V., Barrick, T., Howard, M., Cezayirli, E., Mayes, A. & Roberts, N. (2002). Voxel-based morphometry reveals increased gray matter density in Broca’s area in male symphony orchestra musicians. Neuroimage, 17, 1613–1622.
Thaut, M. H., & Hoemberg, V. (2014). Handbook of Neurologic Music Therapy. New York, NY: Oxford University Press.
Thaut, M. H., & Mcintosh, G. C. (2010). How Music Helps to Heal the Injured Brain: Therapeutic Use Crescendos Thanks to Advances in Brain Science. Cerebrum Dana Foundation. Available online at: http://dana.org/news/cerebrum/detail.aspx?id= 26122.
Thaut, M. H., Gardiner, J. C., Holmberg, D., Horwitz, J., Kent, L., Andrews, G., McIntosh, G. R. (2009). Neurologic music therapy improves executive function and emotional adjustment in traumatic brain injury rehabilitation. Annals of the New York Academy of Sciences, 1169, 406–416. http://dx.doi.org/10.1111/j.1749-6632.2009.04585.x.
Thaut, M.H. (2005). Rhythm, music, and the brain: Scientific foundations and clinical applications. New York: Routledge.
Tomaino, C. M. (2013). Creativity and improvisation as therapeutic tools within music therapy. Annals of the New York Academy of Sciences, 1303, 84–86. http://dx.doi.org/10.1111/nyas.12224.
Yinger, O. S., & Gooding, L. (2014). Music therapy and music medicine for children and adolescents. Child and Adolescent Psychiatric Clinics of North America. 23, 535–553. doi: 10.1016/j.chc.2013.03.003.
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Escola, aqui vou eu! - carta aos meus papás]]>Sofia Alves da Silva, Psicólogahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2019/08/09/Escola-aqui-vou-eu---carta-aos-meus-pap%C3%A1shttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2019/08/09/Escola-aqui-vou-eu---carta-aos-meus-pap%C3%A1sThu, 08 Aug 2019 23:04:00 +0000
Queridos Papás,
Hoje foi um dia muito importante para mim... Acho que também para vocês. Pelo menos, pude reparar que nos prepararam a todos lá em casa, com um cuidado especial, para este momento – o meu primeiro dia de escola.
Já me tinham falado da escola várias vezes e eu estava ansioso por ir conhecer tudo aquilo de que me falaram: a sala colorida e cheia de brinquedos, a professora, os amigos, as brincadeiras, as canções, os jogos, as coisas novas que iria aprender todos os dias e as atividades de menino crescido. Como aquelas que vocês também fizeram quando eram pequeninos como eu, e de que tanto gostaram e falam habitualmente com tanto entusiasmo. Disseram-me que era um pouco como ir para o trabalho, assim como o vosso. Quando ouvi essas palavras, pensei logo nas coisas que dizem todos os dias do vosso trabalho e, como geralmente vos vejo felizes, todas estas ideias me tranquilizaram imenso. Sim, porque tenho que confessar que, apesar de todas as coisas boas que me contaram, esta ideia de passar os meus dias num sítio novo, com pessoas que não conhecia e que nunca tinha visto antes, me deixava um pouco nervoso. Para dizer a verdade, ainda deixa... passou ainda pouco tempo e eu preciso de espaço e tempo para me habituar. Papás, penso que compreendem que é difícil para mim deixar-vos assim logo de manhã, estar longe de vocês. Sinto-me muito acarinhado nesta escolinha, mas é sempre diferente estar convosco, pois sou o vosso filho e, na realidade, até agora poucas vezes estivemos separados. Ainda mais difícil se torna após as férias, em que vocês não estiveram a trabalhar e estivemos sempre tão juntinhos... É difícil separarmo-nos de alguém que nos faz sentir seguros e especiais – na verdade vocês são o meu porto seguro, o centro do meu universo e para quem eu olho sempre para poder compreender o que se passa à minha volta.
Assim, posso dizer que passei um dia muito feliz. Para isso foi muito importante não só a forma como me prepararam nas últimas semanas - quando me contaram as vossas experiências felizes dos tempos de escola, quando me levaram a visitar a sala, a conhecer a minha professora e os meus futuros amiguinhos, e mesmo quando criaram rotinas estáveis, ainda mais ao longo destes últimos tempos – como também a confiança que me transmitiram hoje de manhã ao se despedirem de mim. Nunca poderei esquecer o modo tranquilo e feliz com que me conduziram à escola, a maneira segura com que seguraram a minha mãozinha trémula, o carinho com que disseram "Até logo!" com um abraço e um beijo, assegurando-me que voltariam mais tarde para me vir buscar, e a confiança que procurei nos vossos olhos quando me entregaram à minha professora. Vou contar-vos um segredo: sou capaz de ter chorado um bocadinho quando se despediram de mim ou depois de se terem ido embora, mas a confiança que me transmitiram deu-me força para perceber que me podia sentir seguro. Creio que vocês também podiam estar um pouco nervosos, mas se o estavam, mal percebi e agradeço-vos tanto por me terem transmitido tanta confiança, mesmo sem falar muito. Por terem sido simples e não terem dito muitas palavras complicadas, assim pude perceber todas e aquilo que me queriam transmitir. E por não terem voltado para trás, só para se certificarem de que eu estaria bem. Só mostra que estavam confiantes. Em mim e nas pessoas com quem me deixaram. Ao fim do dia, lá estavam vocês, à hora combinada, mantendo a nossa rotina estável, coerente e tranquila. Afinal, o tempo passou tão depressa! Um só dia e já tanta coisa para contar... Foi tão bom ver o vosso entusiasmo por me ouvirem, ou simplesmente por ver todas as minhas experiências no meu olhar. Sim, porque quando se é pequenino, assim como eu, o olhar conta mais coisas que as palavras. E vocês adivinham-me direitinho.
Apesar de todas as coisas boas, amanhã poderá voltar a ser um bocadinho difícil separar-me de vocês. Afinal de contas, é tão bom estarmos juntos... Mas sei que, mais uma e outra vez, me vão transmitir toda a vossa força e confiança. Afinal, se vocês confiam, eu só posso confiar também! Obrigada por tudo, Papás!
Votos de um excelente ano letivo!
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Quando o Corpo é Lugar de Memórias e de Interações]]>Catarina Branquinho, Psicomotricistahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2019/06/19/Quando-o-Corpo-%C3%A9-Lugar-de-Mem%C3%B3rias-e-de-Intera%C3%A7%C3%B5eshttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2019/06/19/Quando-o-Corpo-%C3%A9-Lugar-de-Mem%C3%B3rias-e-de-Intera%C3%A7%C3%B5esWed, 19 Jun 2019 09:52:21 +0000
O envelhecimento é uma fase da vida tipicamente caracterizada por várias mudanças que, socialmente, ainda são vistas como perda de capacidades. Contudo, se é certo que há alterações e até declínios que são inevitáveis, sabe-se hoje que esta etapa pode ser bem-sucedida. Para isso, é fundamental que a pessoa desempenhe um papel significativo, tenha um contexto com boas redes de apoio e perceba que o seu corpo está diferente. E é precisamente neste último ponto que o Psicomotricista tem o ponto de partida do seu trabalho.
Um corpo que não se organiza no espaço cai, um corpo que está “rígido” tem dificuldades em vestir-se, um corpo que está em desconexão com a “cabeça” não responde adequadamente à informação que lhe chega, um corpo desinvestido fica em casa, isola-se do mundo e vai deixando de comunicar. Estes são alguns exemplos que demonstram a grande importância de a pessoa idosa compreender este novo corpo. Para que esta ligação volte a ser feita, existe a Gerontopsicomotricidade.
A Gerontopsicomotricidade é uma terapia não farmacológica e de mediação corporal, que parte do corpo, dos seus movimentos e das suas interações, o que quer isto dizer que a pessoa é olhada a partir de um ponto de vista holístico, ou seja, estão envolvidos (de forma integrada em constante interação) aspetos de ordem psicomotora (tonicidade, equilíbrio, noção de corpo, tempo e espaço e motricidade global e fina), cognitiva (memória, atenção, velocidade, inibição, linguagem e cálculo), comportamental (agitação, apatia e isolamento). A conjugação destes três fatores é continuamente influenciada pelas alterações sensoriais características desta fase da vida (por exemplo, se a pessoa ouve ou vê pior, poderá ter um pior desempenho nos domínios anteriormente referidos, mas que poderá ser melhorado quando encontradas estratégias compensatórias).
E se a palavra Gerontopsicomotricidade nos remete para uma população em específico, talvez depois de fazermos contas (quantos anos vão dos 65 aos 100?) e juntarmos a quantidade de experiências diferentes que cada pessoa teve na sua vida e quadros patológicos que “começam por afetar a memória e levam a uma dependência total”, talvez ajude a perceber a heterogeneidade de respostas que o Psicomotricista está capacitado a proporcionar. É de extrema importância que a pessoa idosa tenha um acompanhamento adequado no momento em que acontece a primeira queda ou tem os primeiros esquecimentos, mas também é fundamental que este acompanhamento terapêutico continue quando a pessoa “só” precisa de ter menos dor ou de sentir que o seu corpo não foi esquecido.
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Grupo de Comunicação: treinar a linguagem para prevenir a demência]]>Sara Loff, Terapeuta da Falahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2019/06/06/Grupo-de-Comunica%C3%A7%C3%A3o-treinar-a-linguagem-para-prevenir-a-dem%C3%AAnciahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2019/06/06/Grupo-de-Comunica%C3%A7%C3%A3o-treinar-a-linguagem-para-prevenir-a-dem%C3%AAnciaThu, 06 Jun 2019 14:15:12 +0000
Os grupos de comunicação são uma metodologia cada vez mais comum que, para além de possibilitarem uma reabilitação das capacidades linguísticas dos indivíduos que os frequentam, permitem o treino de capacidades cognitivas específicas como a memória e o raciocínio lógico, muitas vezes afetadas em quadros clínicos de demência.
Constituídos por indivíduos com ou sem patologia adquirida da linguagem, os grupos envolvem sessões semanais, com base nas necessidades e interesses de cada elemento. Para além de desenvolverem capacidades cognitivas e linguísticas específicas, estas sessões têm como objetivo promover a comunicação interpessoal, estimular a entreajuda entre elementos e desenvolver a sua integração pessoal, favorecendo a interação com indivíduos da mesma faixa etária através da partilha de vivências e necessidades.
O terapeuta da fala e/ou o psicólogo que os dinamiza desenvolve com os seus participantes atividades como interpretação de palavras, frases ou textos, interpretação de provérbios e expressões idiomáticas, resolução de problemas relacionados com o dia-a-dia, definição de conceitos, descrição de acontecimentos vividos, reconhecimento e gestão de emoções e jogos diversos de evocação semântica, atenção e/ou memória.
Através destes momentos, os indivíduos encontram tempo e espaço para partilhar as suas memórias, sentimentos e pontos de vista, aumentando não só a sua funcionalidade comunicativa mas também a sua autonomia e integração social. Por outro lado, através dos grupos de comunicação, são treinadas competências que ajudam na prevenção da demência e declínio do rendimento cognitivo, comum com o avançar da idade.
Assim, este tipo de abordagem terapêutica pode estimular capacidades cognitivas especificas do individuo mas também aumentar a sua auto-estima e o seu sentimento de competência social, fundamentais para viver e aproveitar da melhor forma as exigências e transformações que chegam com a terceira idade.
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Intervenção na Gaguez: a Terapia da Fala de mãos dadas com a Psicologia]]>Sara Loff, Terapeuta da Falahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2019/03/12/Interven%C3%A7%C3%A3o-na-Gaguez-a-Terapia-da-Fala-de-m%C3%A3os-dadas-com-a-Psicologiahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2019/03/12/Interven%C3%A7%C3%A3o-na-Gaguez-a-Terapia-da-Fala-de-m%C3%A3os-dadas-com-a-PsicologiaTue, 12 Mar 2019 13:31:48 +0000
As novas abordagens e definições de gaguez salientam a importância que existe em desenvolver técnicas e programas de intervenção que possibilitem a cada indivíduo aumentar a sua funcionalidade comunicativa, tornando-o o mais participativo, adaptado e integrado possível no seu meio.
A evolução da definição de gaguez e a consequente mudança na elaboração de programas de intervenção conduziram a alterações estruturantes na abordagem a esta perturbação. Para dar uma resposta mais adequada às dificuldades da fala e reduzir os comportamentos de vergonha e ansiedade que podem afetar a vida social do indivíduo que gagueja, a intervenção da pessoa gaga passou a ser mais integrada, considerando-se cada vez mais as diferentes necessidades do indivíduo em questão e todos os fatores que podem contribuir decisivamente para a melhoria ou agravamento desta perturbação. Ao longo dos tempos, tornou-se assim consensual a necessidade de uma intervenção partilhada, com psicólogos para o trabalho dos aspetos sociais e emocionais e terapeutas da fala para uma melhoria dos aspetos da fala.
Verifica-se também uma tendência progressiva para a diferenciação das técnicas e programas utilizados de acordo com a idade dos indivíduos. Atualmente defende-se a necessidade de desenvolver uma intervenção mais direta, mesmo com crianças com menos de sete anos de idade, surgindo os primeiros programas formais para gaguez precoce onde são trabalhados não só os aspetos ambientais, como técnicas de intervenção direta, como o controlo da velocidade da fala, reformulação de discurso e o treino respiratório.
Contudo, a necessidade de encontrar a melhor forma de intervenção que torne os indivíduos gagos mais adaptados e integrados numa sociedade cada vez mais exigente, faz com que se continue a investigar as causas e formas de intervenção desta perturbação.
Se tem ou conhece alguém com problemas na fluência da fala, se fica ansioso quando tem de falar em público, se prefere comunicar sem usar a linguagem verbal, contacte um terapeuta da fala ou um psicólogo para uma avaliação formal da sua preocupação.
Foto: Jelleke Vanooteghem
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Olá Bebé: o mano já chegou!]]>Sofia Alves da Silva, Psicólogahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2019/01/09/Ol%C3%A1-Beb%C3%A9-o-mano-j%C3%A1-chegouhttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2019/01/09/Ol%C3%A1-Beb%C3%A9-o-mano-j%C3%A1-chegouWed, 09 Jan 2019 13:02:07 +0000
A chegada de um irmão é talvez uma das transições que gera maior expetativa e preocupação e que envolve consideráveis exigências de adaptações na vida familiar.
Quando contar?
Alguns pais contam ao filho acerca da gravidez no terceiro trimestre, outros envolvem-no logo desde o início. Não há resposta certa ou errada para esta questão – trata-se de uma escolha dos pais. Independentemente do momento em que decidam contar, os pais devem ter consciência de que em crianças muito pequenas a noção de tempo é escassa ou mesmo inexistente, pelo que nove meses pode ser um período de tempo de espera demasiado longo (basta recordar as 200 vezes que perguntou quanto tempo faltava para terminar a última viagem de carro que fizeram em família...)
A grande adaptação é, claro, quando o bebé nasce e nos períodos subsequentes. Como o filho mais velho vai reagir depende de diversos fatores: idade, temperamento e de como os pais ajudam a conduzir este processo.
É um processo de adaptação
É preciso nunca perder de vista que se trata de um processo de adaptação. Independentemente da forma como estiver a responder à situação – desde manifestações de afeto imediatas a demonstração de ciúme através de alteração do comportamento ou de regressões – a criança está a adaptar-se à nova situação, tal como os pais, e precisa de perceber que estes continuam a gostar dela, tal como antes. As cranças precisam de tempo e paciência para cooperar com as mudanças.
Ideias para uma transição mais equilibrada
Manter a rotina da criança: se possível, não fazer alterações à rotina diária – na escola, em casa, nos horários. A rotina é uma grande potenciadora de um sentimento de segurança e estabilidade.Não ter receio de pedir ajuda: os primeiros tempo da chegada de um bebé à família são habitualmente intensos e exigentes, ainda mais quando também tem que se cuidar de outra criança pequena – pode ser útil pedir uma ajuda extra ao/à companheiro/a e familiares.
Celebrar o “nascimento” do irmão mais velho: porque não criar um cartão de “Parabéns! Agora és o irmão mais velho”? Esta celebração ajudará a criança a entusiasmar-se acerca do seu novo papel na família. Pode também ser promovida a troca de presentes entre irmãos, como forma de celebração.Comprar um boneco para a criança: pode ajudar colocar a criança a copiar com o boneco o que a mãe/pai faz com o bebé – ajuda-o a participar e a sentir-se parte das novas atividades diárias.Envolver nos cuidados ao bebé: é importante permitir que a criança possa ter espaço para dar sugestões, perguntando-lhe o que deverão vestir ao bebé ou que canção cantar para ele – mais uma vez, é uma oportunidade de se sentir parte da família e da rotina, permitindo diminuir algum ciúme que naturalmente possa existir. Se for um pouco mais velho, pode mesmo ajudar diretamente nas tarefas de cuidados ao bebé.Assegurar tempo de “um para um”: embora possa parecer óbvio, nem sempre é fácil de concretizar, sobretudo com um bebé recém-nascido. No entanto, é importante assegurar que a mãe e/ou pai conseguem passar algum tempo sozinhos com o filho mais velho. Duas boas oportunidades podem ser quando o bebé está a dormir ou quando o pai/mãe forem dar um passeio com o bebé.Criar uma recompensa simbólica: basta por vezes uma estrela de xerife ou um título (ajudante da mãe, irmão mais velho, etc) para fazer aumentar o sentido de pertença e envolver a criança.
Com a chegada de um irmão mais novo, os comportamentos regressivos aquisições que já tinham sido realizadas e que parecem ter sido “perdidas” - podem acontecer, o que pode tornar-se bastante frustrante para os pais, na medida em que seria a altura em que mais precisam que o filho seja mais autónomo e independente. No entanto, se os pais conseguirem lidar com estas regressões de forma adequada, elas serão apenas uma breve fase, não se instalando como uma forma negativa de chamar a atenção. Assim, pode ser importante os pais munirem-se de muita paciência e e capacidade de ver em perspetiva. Pode ser necessário voltar a “ensinar” o filho, a dar-lhe esse tempo – será importante assegurar tempo para as duas (ou mais ) crianças, para manter rotinas e mostrar, pela experiência que há lugares no coração que não se perdem.
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A prática psicomotora como veículo para um crescimento recheado de sucessos]]>Cláudia Borralho, Psicomotricistahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2018/12/12/A-pr%C3%A1tica-psicomotora-como-ve%C3%ADculo-para-um-crescimento-recheado-de-sucessoshttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2018/12/12/A-pr%C3%A1tica-psicomotora-como-ve%C3%ADculo-para-um-crescimento-recheado-de-sucessosWed, 12 Dec 2018 15:35:54 +0000
Cada vez mais, e com muita regularidade, as crianças chegam à idade escolar sem competências básicas para conseguirem adquirir aprendizagens de nível académico, faltando-lhes, muitas vezes, bases de sustentação para a aquisição das mesmas, começando assim a surgir as ditas dificuldades na aprendizagem.
As crianças de hoje são excessivamente protegidas, passam a maioria do seu tempo paradas, agarradas a tecnologias e é descurado o tempo de explorar e de brincar. Seguramente, não as mesmas de antigamente que passavam a maior parte do seu tempo a brincar, sozinhas ou em grupo, a correr, a saltar, a andar de bicicleta, a explorar a natureza e a inventar brincadeiras para poderem jogar, adquirindo muitas outras competências e enormes aprendizagens.
Assim, quando se aborda a prática psicomotora com crianças na pré-escola, o Psicomotricista tem como objetivo agir precocemente e dar oportunidade às crianças de aprenderem a consciencializar-se de todas as potencialidades do seu corpo, através do brincar, de maneira a desenvolverem a sua psicomotricidade - a relação entre a motricidade, a cognição e a emoção.
O Psicomotricista, de acordo com as fases de desenvolvimento das crianças, utiliza como recurso os jogos lúdico-pedagógicos (sensório-motor, simbólico, regras, cooperação, construção, precisão e luta e perseguição), as técnicas expressivas (música, dança, teatro e drama) e as técnicas de relaxação (autorregulação, foco e consciencialização do corpo em toda a sua plenitude) de forma a promover o potencial de desenvolvimento psicomotor e momentos ricos de partilha entre as próprias crianças, o terapeuta e o educador.
É através desta abordagem que se minimizam dificuldades ao nível do comportamento, do desenvolvimento, da aprendizagem e de âmbito psicoafetivo. É assim que o Psicomotricista intervém ao nível das competências pré-académicas cruciais para que a fase escolar aconteça de uma forma mais segura, mais capaz, mais tranquila, com menos frustrações e com maior aptidão para ultrapassar os novos desafios de aprendizagens que vão surgindo ao longo da infância e adolescência.
A prática psicomotora encerra em si uma excelente oportunidade de contribuirmos para um mais equilibrado desenvolvimento das nossas crianças!
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Desenvolver a Linguagem todos os dias!]]>Magda Costa, Terapeuta da Falahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2018/11/12/Desenvolver-a-Linguagem-todos-os-diashttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2018/11/12/Desenvolver-a-Linguagem-todos-os-diasMon, 12 Nov 2018 17:18:52 +0000
Que tal aproveitar o tempo com os filhos com qualidade, desfrutando da sua companhia e ajudando a desenvolver a Linguagem com gestos simples do dia a dia e com muita brincadeira à mistura?
Atividades que favorecem o desenvolvimento da Compreensão Verbal
● Associem o gesto à fala, em expressões do quotidiano: “adeus, dá cá, vem cá, ali, aqui, eu, tu”;
● Digam o nome do que vos rodeia, por categorias, de forma aumentar o vocabulário: partes do corpo (enquanto se veste ou toma banho), peças de roupa (à medida que se veste ou que se despe), alimentos (quando faz compras, cozinha ou durante as refeições), nomes de locais a que vai com frequência (a escola, a sua casa, a dos avós, o supermercado), animais, cores (da roupa, dos lápis, da mobília da casa);
● Recortem figuras de revistas/jornais e colem num caderno (folhas brancas), agrupando por categorias (roupa, animais, frutas, legumes, objectos da casa de banho, …);
● Joguem o “jogo de categorias”: primeiro definir a categoria (por exemplo: animais) e depois cada jogador nomeia um elemento (por exemplo: cão, gato, pato, ...);
● Joguem o “jogo de contrários”: peça à criança para completar as frases (por exemplo: o contrário de grande é..., o contrário de quente é...) e dê exemplos: elefante (grande) /rato (pequeno); sopa (quente) /gelado (frio);
● Descrevam o que estão a fazer, a ver, ouvir e/ou sentir;
● Brinquem ao “para que serve?” em que a criança descubra para que servem os objetos (bebo água por um..., corto o pão com..., penteio o cabelo com..., limpo as mãos à...).
Atividades que favorecem o desenvolvimento da Expressão Verbal
● A hora do conto da história ser feita em conjunto com o pai ou a mãe, em que um deles lê uma página do livro e o vosso filho conta o que acontece na seguinte;
● Ser a criança a contar a história (à noite) aos pais, utilizando livros em que predominem imagens;
● Aprender canções simples, pouco elaboradas e cantá-las na hora do banho ou da brincadeira, ao deitar, no carro, etc;
● Relatar em conjunto como correu o vosso dia de trabalho, para que ele também conte o que aconteceu na escola;
● Fazer desenhos e criar a história deles, por escrito (pai ou mãe) ou oralmente; ● Contar uma história conhecida sem ajuda de ilustrações, como “O Capuchinho Vermelho”, “Os Três Porquinhos”, “Cinderela”, etc;
● Brincar ao jogo simbólico/o jogo do ”faz de conta”;
● Dar pistas verbais, para que a criança descubra do que estão a falar. Por exemplo: é amarelo, é quente, é redondo, vive no céu...é o sol;
● Aprender rimas e cantá-las (livros de rimas e lenga-lengas).
Adaptação do folheto “Crianças com Atraso na Aquisição da Fala/Linguagem – Atitudes e práticas facilitadoras da aquisição de linguagem” de Boavida Fernandes, Isabel Lucas e Lígia Lapa.
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Como vai o processo de (re)adaptação às "rotinas"?]]>Sofia Alves da Silva, Psicólogahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2018/09/13/Primeiros-passos-fora-do-ninhohttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2018/09/13/Primeiros-passos-fora-do-ninhoWed, 12 Sep 2018 23:07:50 +0000
O momento da (re) entrada na escola já vai ficando para trás. No entanto o processo de adaptação , esse, está longe de ter terminado. Na realidade está ainda muito no seu início. Quer se trate de uma primeira vez ou de uma reentrada na escola, este momento reveste-se sempre de características muito específicas, constituindo-se como uma etapa importante e diferente para as crianças e para os pais. Com tanto de surpreendente como de delicado. Mas não é algo súbito, que se faz de um dia para o outro, é uma construção, lenta, delicada, divertida e prazerosa para alguns, para outros mais angustiante e desafiante.
Os "primeiros passos fora do ninho" podem encerrar em si, tanto de assustador, como de empolgante, constituindo-se em oportunidades de crescimento. Algo que pode ser iniciado no primeiro período escolar e ser construído ao longo de todo o ano.
Ficam algumas propostas para as "Primeiras Lições de Voo":
Como se ensina a voar? Esta é a questão que se coloca quando queremos, com todo o carinho, que os filhos abram asas e voem com confiança. Cada família, com todas as suas especificidades e particularidades, terá o seu tempo, o seu ritmo, o seu método de fazer crescer. Por isso, não há varinhas mágicas nem respostas milagrosas. Mas podemos sempre...
1- ... lembrar-nos que a adaptação de uma criança a um novo contexto, sobretudo se implicar a separação dos pais como é o caso da entrada na escola, é um processo. O chamado "período de adaptação" não se resume, na maioria das vezes, a poucos dias ou a uma semana; é, de fato, um processo, que pode durar vários meses ou até todo o primeiro ano escolar e ser, mais ou menos difícil conforme as características de cada criança e de cada família.
2... ter presente que a adaptação também se baseia na construção de novas relações de confiança, e como acontece com todas as relações de confiança, estas também levarão o seu tempo a ser construídas, pelo que dificilmente se poderá dizer que a adaptação estará completa numa semana ou num curto espaço de tempo. Ou seja, mais uma vez, leva tempo.
3... ter em conta a importância do "colo" e do "mimo" para a construção de uma segurança crescente; da importância da firmeza e da segurança junto do nosso filho, equilibrados com oportunidades para crescer; de dar a mão até que, sozinho e com um sorriso, a criança se solte dos nossos braços (onde, aliás, estará para sempre) e avance, segura, na exploração do mundo.
4... pelo que é importante não "escurecermos" o mundo de medo, do medo que é dos pais e não é dos filhos, sobretudo do medo paralisante; das preocupações que têm a ver com um entendimento do mundo da perspetiva do adulto e que não tem de ser o da criança; a par dos obstáculos também nós encontrámos, porventura, algum prazer no percurso... Ainda que acompanhados pelos pais, este caminho, este "novo trajeto de voo" é dos filhos, pertence-lhes. Deixemos que o construam.
5... recordar que é normal ter medo. Os filhos terem medo e os pais terem medo. Mas que o tornemos, na nossa força consciente, num medo mobilizador, que leva pais e filhos a quererem ser, não perfeitos, mas o melhor que puderem e souberem ser. E que possa permitir, sempre que necessário, a procura do apoio e da ajuda.
Fica o desejo um excelente (re)início!
foto: Sharon McCutcheon
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O meu terapeuta é um cão!]]>Sara Teixeira, Psicomotricista e Técnica de Intervenções Assistidas por Animaishttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2018/05/21/O-meu-terapeuta-%C3%A9-um-c%C3%A3ohttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2018/05/21/O-meu-terapeuta-%C3%A9-um-c%C3%A3oMon, 21 May 2018 22:01:37 +0000
Sabia que estar na presença de um animal por si só conduz à diminuição do nível de cortisol o que leva a uma redução da ansiedade e nível de stress? E que desperta no ser humano laços de afetividade e de empatia, o que conduz à libertação de ocitocina e assim a um estado de relaxamento e de bem-estar (Teoria da Biofilia)? É por este e outros motivos que a Terapia Assistida por Animais (TAA) é um complemento interessante e relevante às terapias convencionais, tornando as pessoas mais disponíveis para a participação e cooperação no desenvolvimento das sessões terapêuticas, nas suas diversas áreas de atuação.
Mas o que é a Terapia Assistida por Animais?
As TAA são um ramo das intervenções assistidas por animais (ao lado das atividades assistidas por animais e da educação assistida por animais). Têm como objetivo promover a melhoria do funcionamento físico, social, emocional e cognitivo dos participantes. São dinamizadas por profissionais da área da saúde e têm objetivos específicos para cada cliente. O animal é parte integrante do processo terapêutico, cumprindo critérios específicos e treinado especialmente para este fim. O terapeuta promove a interação entre o animal e o utente registando os progressos e avaliando os resultados. Destaca-se a importância de que a equipa animal e técnica seja devidamente formada e treinada para a prática das TAA. Um dos animais mais utilizados para estas intervenções são os cães, a par com os burros e os cavalos. Pelas características do animal, as terapias assistidas por cães (TAC) tem vindo a ganhar mais popularidade e procura.
De uma forma geral, o cão é um animal que chama a atenção dos participantes, proporcionando um conjunto de estímulos multissensoriais, sendo a TAC um complemento importante em todo o processo terapêutico e educacional. Por ser um animal muito familiar assume-se como um elo de ligação comum entre os vários participantes, incentivando à partilha, socialização e participação. A presença do cão nas sessões de terapia proporciona igualmente um estado de relaxamento, redução de stress, ansiedade e da pressão sanguínea, com evidentes benefícios ao nível da saúde e bem-estar.
Além disso, na interação com o cão, podem ser potenciadas as capacidades indispensáveis ao desenvolvimento ótimo em termos emocionais, sociais e intelectuais: a expressão de emoções, a capacidade de comunicação, a interação social e até mesmo o interesse em participar nas sessões de terapia. São também observados progressos ao nível motor, não só na atividade física e mobilidade (por exemplo através de passeios à trela), mas também na motricidade do cliente através da manipulação de objetos e cuidados com o cão (por exemplo ao escovar, brincar e dar biscoitos).
Dadas as suas características afetivas, os cães funcionam assim como um fator motivador e um mediador para a relação entre o terapeuta e o cliente, fomentando uma maior concentração e participação no desenvolvimento das sessões. A presença do cão tem como finalidade última tornar os clientes mais cooperantes, possibilitando a médio prazo, a generalização dos comportamentos gerados neste trabalho à sua vida quotidiana.
São passíveis deste tipo de intervenção todo o tipo de população, desde a infância à terceira idade, sendo ainda considerada multidisciplinar pelo seu vasto campo de atuação, abrangendo desde a prevenção até à reabilitação física e mental. Atualmente já existem vários estudos científicos que têm vindo a comprovar a eficácia das TAC ao nível das perturbações do desenvolvimento e da aprendizagem, da saúde mental, da gerontologia, entre outros.
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Porque é importante o Equilíbrio?]]>Verónica Esteves e Ângela Morais, Psicomotricistas/TSEERshttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2018/03/16/Porque-%C3%A9-importante-o-Equil%C3%ADbriohttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2018/03/16/Porque-%C3%A9-importante-o-Equil%C3%ADbrioFri, 16 Mar 2018 23:21:34 +0000
O equilíbrio em conjunto com a tonicidade são os fatores de base para um controlo postural adequado. Estes dois fatores assumem-se como as primeiras aquisições do desenvolvimento psicomotor.
O equilibro é indiscutivelmente um fator de extrema importância para o domínio da motricidade global e fina, da adaptação do indivíduo ao espaço e da aprendizagem. Se o equilíbrio/controlo postural não estiver assegurado e consolidado, as funções psicomotoras mais elaboradas como a noção do corpo, a estruturação espácio-temporal e as práxias perdem harmonia, precisão e eficácia.
Paralelamente evidencia-se uma diminuição da atenção para outras atividades, pois a criança tem de manter o foco da atenção nos reajustes posturais, nas diversas posições que assume nas atividades (e.g. manter a posição de sentado numa cadeira, manter uma posição estática, etc.).
O descontrolo postural é um condicionador de todas as experiências da criança, podendo desencadear desatenção, desmotivação ou frustração. Assim, coloca em causa as aprendizagens verbais e não-verbais, simbólicas e não simbólicas.
Por sua vez, se uma criança apresentar uma postura flexível e disponível, qualquer movimento realizado é harmonioso, visto existir uma interligação entre os vários esquemas sensoriais. Se a criança é capaz de manter determinadas posturas com adequado tónus muscular, irá ser capaz de gerar diversas respostas motoras das quais se destacam: a marcha, a corrida, o saltar, o trepar, a coordenação óculo-manual, óculo-pedal e a aprendizagem da escrita.
Numa avaliação/intervenção do perfil psicomotor, o psicomotricista aplica um conjunto de tarefas que visam avaliar/reabilitar/educar a capacidade da criança em manter o equilíbrio estático em diversas posições por um período de tempo considerável, e também observar/reabilitar/educar a capacidade de manter uma postura/equilíbrio, na realização de diversos deslocamentos utilizando diversas respostas motoras.
O quadro exposto de seguida procurou-se sintetizar o perfil de desenvolvimento do equilíbrio nas várias faixas etárias infantis, bem como dar-se sugestões das mais variadas atividades de estimulação deste fator primordial.
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Dar Tempo ou 4 Propostas para uma Parentalidade mais tranquila]]>Sofia Alves da Silva, Psicólogahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2018/01/15/Dar-Tempo-ou-4-Propostas-para-uma-Parentalidade-mais-tranquilahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2018/01/15/Dar-Tempo-ou-4-Propostas-para-uma-Parentalidade-mais-tranquilaMon, 15 Jan 2018 23:11:09 +0000
Os olhos dos pais brilham quando se recordam dos primeiros tempos de bebé do filho – essa altura em que cada sorriso, cada gargalhada, cada mais ínfima expressão era alvo de contemplação e observação detalhada. Cada minuto e cada segundo podia ser vivido em todo o seu potencial. E havia tempo. Tempo para parar. Tempo para reparar.
À medida que as crianças vão crescendo, que ganham a sua autonomia física e psicológica, é fácil os pais “não terem mãos a medir” com tudo aquilo que se lhes impõe no dia a dia, desde o correr atrás da criança para garantir que não se magoa, o reintegrar do trabalho na rotina, o acumular de tarefas que se vão empilhando dia após dia... Quando o grande objetivo se torna sair a tempo de casa para poder deixar a criança na escola e depois seguir à pressa para o trabalho, é possível que não se repare o engraçado que é o filho a tentar tirar o pijama que fica preso na cabeça e transformar-se num pequeno fantasminha por escassos segundos. A primeira vez que conseguiu calçar os sapatos. A expressão quando ainda dorme antes de acordar de manhã. Perder estes momentos é perder muito, pois não voltam. E deixar-se embrulhar numa sequência infernal de “coisas” para fazer, obrigações em sequência que não conhecem um fim, torna-se fatal e rotineiro.
Assim, a proposta que fica é a de deixar o início do ano ser uma ótima “desculpa” para tomar decisões e fazer algumas pequenas alterações no dia a dia. Para que seja possível (re) ganhar os tais momentos:
- Estar no Momento, mais do que Fazer
É muito importante poder deixar de colocar sempre o foco nas pequenas obrigações do dia a dia e conseguir parar. Parar para ver, com "olhos de ver" : a criança a desembrulhar um presente, com os olhos brilhantes de entusiasmo; a tentar pentear o cabelo; a despertar de manhã; a frase tão importante que nos quer dizer quando o que é preciso é não chegar atrasado; ou mesmo a carinha de “birra” com que brinda os pais todas as manhãs. Parar e registar na memória: são tudo estreias, primeiras vezes, primeiras tentativas, tão importantes como os primeiros passos e as primeiras palavras.
- Uma Coisa de Cada Vez
É fácil ficar saturado com as exigências do dia a dia e com as próprias exigências do crescimento e do comportamento dos filhos. A criança não ouve, porta-se mal, são os pais que elevam a voz, a palmada que às vezes sai, as lágrimas, os pais a sentirem que falharam em alguma coisa... Mais uma vez, parar e tentar estabelecer prioridades pode ser fundamental para perceber qual a origem do problema. Redirecionar energias para compartimentar a situação e não a ver de forma tão ameaçadora e pesada, e tentar estabelecer pequenos passos para atingir um objetivo é de certeza mais importante do que passar os dias a culpabilizar-se por tudo o que corre menos bem. Por vezes, um pequeno distanciamento pode ser o suficiente para perceber que uma birra que termina diariamente em “calamidade” familiar tem, afinal, origem nos vinte minutos que a criança se tem deitado mais tarde na noite anterior, na ansiedade resultante de estarmos a apressá-la demasiado de manhã ou ainda de algum medo que até poderia ser facilmente resolvido com uma simples conversa.
Foto de Jordan Christian
- Ser o Exemplo
Os pais ensinam os filhos através do que lhes dizem, mas sobretudo eles aprendem com o que os pais fazem. É altura de refletir se se está a dar um bom exemplo pois aos olhos dos filhos, os pais são, todos os dias, o ponto de referência para tudo, desde como se comportar ao que dizer, do que sentir medo ou em quem confiar, ou mesmo como demonstrar emoções. Ser o exemplo é uma excelente maneira de ensinar um comportamento positivo e quanto mais conscientes disso os pais estiverem, melhor, sobretudo no que toca ao modo como fazem ou ensinam as coisas: não é pouco habitual os pais deixarem as suas emoções fugirem ao seu controlo enquanto dizem aos filhos para não fazer birras... ou gritar bem alto “Pára de gritar!”...
- Dar Tempo
Tudo o que foi referido acima só é possível com Tempo... Não é preciso muito, pois é certo que também não se consegue dar o que por vezes não se tem... Mas se for possível os Pais darem aos seus filhos um “Tempo especial”, ou seja, quinze a vinte minutos de atenção contínua, é significativamente melhor do que dar um minuto aqui e outro ali aleatoriamente ao longo de duas horas. Este é o Tempo realmente importante: aquele que é gratificante para ambos, em que pai/mãe e filho desfrutam da companhia um do outro. A atividade escolhida não é o mais relevante, o essencial é a atenção que não se divide e não se dispersa.
Para tal, é preciso aprender a Estar no Momento ( e assim voltamos ao primeiro ponto!) – concentrar-se no que se está a fazer no presente e largar por uns instantes as dores de ontem e as preocupações de amanhã. Claro que é impossível impedir estes pensamentos de surgirem, mas é possível, quando aparecem, que possamos voltar a colocá-los na gaveta só mais uns instantes e aproveitar estes momentos irrepetíveis só mais um pouco...
Votos de um Excelente Ano!
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Terapia Miofuncional - a importância da Terapia da Fala no plano ortodôntico]]>Andreia Carreira Pratas, Terapeuta da Falahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2017/11/18/Terapia-Miofuncional---a-import%C3%A2ncia-da-Terapia-da-Fala-no-plano-ortod%C3%B4nticohttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2017/11/18/Terapia-Miofuncional---a-import%C3%A2ncia-da-Terapia-da-Fala-no-plano-ortod%C3%B4nticoSat, 18 Nov 2017 22:54:38 +0000
O Terapeuta da Fala, não atua simplesmente ao nível das Perturbações da Comunicação e Fala. O Terapeuta da Fala, é um interveniente importante nas Perturbações do Sistema Estomatognático, fazendo parte deste sistema a Fala, Respiração, Deglutição e Mastigação. Quando ocorre uma perturbação ao nível da função e/ou funções, está pode revelar uma alteração ao nível da arcada dentária (má oclusão dentaria e/ou alterações de mordida). O Terapeuta da Fala é importante no plano ortodôntico, pois leva à harmonia e o equilíbrio de todas as estruturas responsáveis por determinada função, através da Terapia Miofuncional.
A Terapia Miofuncional é uma especialidade dedicada à reabilitação das perturbações neuromusculares oro-faciais, podendo intervir em causas anatómicas como funcionais, como é o caso de: baixo tónus muscular de determinada estrutura, sucção digital, uso de chucha de forma prolongada, onicofagia, deglutição atípica, postura incorrecta lingual em repouso e na produção de fala, entre outros. Por vezes é importante referir que o trabalho ortodôntico, caso não seja realizado em conjunto com um Terapeuta da Fala, podem existir recidivas, pois a funcionalidade não foi tida em conta face à estrutura. Exemplos disso, são os casos de mordida aberta por incorrecto posicionamento lingual. É sempre importante recorrer a um Terapeuta da Fala de forma a harmonizar as estruturas face às funções perturbadas.
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Em que áreas de intervenção atua a Terapia da Fala?]]>https://www.clinicadasein.pt/single-post/2017/11/18/Em-que-%C3%A1reas-de-interven%C3%A7%C3%A3o-atua-a-Terapia-da-Falahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2017/11/18/Em-que-%C3%A1reas-de-interven%C3%A7%C3%A3o-atua-a-Terapia-da-FalaSat, 18 Nov 2017 22:52:52 +0000
Comunicação
Doenças degenerativas do Sistema Nervoso Central, autismo e alguns síndromes podem condicionar a comunicação da criança/adulto, impossibilitando o uso da fala e/ou linguagem escrita para comunicar. Neste sentido o Terapeuta da Fala intervém adequando e instalando um sistema aumentativo e/ou alternativo à comunicação.
Linguagem Oral
A Linguagem Oral compreende a componente expressiva e compreensiva e é composta por 4 elementos linguísticos: a semântica (reconhecimento, significado e relação entre as palavras), a morfossintaxe (conhecimento implícito das regras sintáticas e morfológicas necessárias para a construção de frases gramaticais), a fonológica (reconhecimento dos sons da fala) e a pragmática (capacidade de adequação da linguagem ao contexto). As alterações da linguagem oral podem ocorrer durante o desenvolvimento da criança ou após acidentes neurológicos, como o Acidente Vascular Cerebral, Traumatismos Crânio-encefálicos, entre outros.
O Terapeuta da Fala intervém na aquisição ou reabilitação da linguagem oral, avaliando as componentes afetadas e as áreas linguísticas comprometidas.
Linguagem Escrita
A linguagem escrita, ao contrário da linguagem oral, pressupõe uma aprendizagem explícita dos grafemas que convertem a linguagem oral em linguagem escrita. O Terapeuta da Fala intervém nos casos de dificuldade de aprendizagem da leitura e escrita.
Articulação
A articulação verbal consiste na produção oral dos fonemas/sons. Para uma articulação correta dos sons é necessário que as estruturas e os músculos orofaciais estejam sadios. Alterações neurológicas (como os Acidentes Vasculares Cerebrais ou os Traumatismos Crânio-Encefálicos) ou imaturidade dos músculos orofaciais são algumas das causas de alterações na articulação.
Fluência
A fluência consiste na capacidade de encadear os sons da fala de forma contínua, possibilitando assim um discurso fluente, com ritmo e pausas adequadas. Um discurso não fluente carateriza-se por bloqueios no início da emissão, repetições ou prolongamentos de sílabas e pausas excessivas que se produzem numa gaguez.
Voz
A voz é um mecanismo fisiológico que permite a emissão de som durante a fala. Alteração na qualidade vocal indica alteração ao nível da estrutura ou do movimento das cordas vocais, que pode ter origem orgânica (nódulos, pólipos) ou funcional (mau uso ou abuso vocal).
O Otorrinolaringologista é o médico responsável pela realização do exame e diagnóstico da causa da alteração vocal. O Terapeuta da Fala intervém na prevenção da sintomatologia, na cessação dos maus usos e abusos vocais e na prática de saúde vocal.
Deglutição
A deglutição consiste na capacidade de ingestão de alimentos e é dividida em 4 fases (preparatória, oral, faríngea e esofágica). Por questões neurológicas ou mecânicas pode ocorrer dificuldades em uma ou mais fases da deglutição, comprometendo assim uma nutrição e hidratação segura. O Terapeuta da Fala avalia e intervém na reabilitação da deglutição.
Motricidade Oro-facial
Relaciona-se com o desenvolvimento, aperfeiçoamento e reabilitação dos órgãos fonoarticulatórios e região cervical, bem como das respetivas funções estomatognáticas (a sucção, a mastigação, a respiração e a fala).
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Grafomotricidade - para aprender melhor!]]>Verónica Esteves e Rita Ávila, Psicomotricistas/TSEERshttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2017/09/07/Grafomotricidade---para-aprender-melhorhttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2017/09/07/Grafomotricidade---para-aprender-melhorThu, 07 Sep 2017 22:34:58 +0000
A grafomotricidade é um processo expressivo de escrita que possibilita a realização de um registo gráfico, tendo por base uma postura estável, a combinação do movimento do braço, mãos e dedos, concomitantemente ligados a noções espácio-temporais e visuo-quinestésicas (Silva & Martins, 2005). Por isso, a maioria das dificuldades na aprendizagem da leitura, escrita e matemática durante o período escolar surgem devido ao facto de não se desenvolverem atempadamente os pré-requisitos das competências fundamentais para a aprendizagem (Fonseca, 2003). Desta forma, a psicomotricidade deve ser encarada, no contexto pré-escolar, como um meio de integração escolar e de prevenção das dificuldades de aprendizagem, através da realização de atividades lúdicas que envolvam a ligação progressiva entre aquisições sensoriomotoras, simbólicas e conceptuais.
Correlacionando a importância da psicomotricidade e o desenvolvimento da grafomotricidade, pode-se concluir que é fundamental o desenvolvimento percetivo-motor para a aprendizagem escolar, para o desenvolvimento da escrita, referindo que dificuldades na área psicomotora podem comprometer a aprendizagem escolar.
Porquê um psicomotricista?
O psicomotricista é um perito na área do movimento e da intervenção pelo corpo, que intervém para melhorar o funcionamento psicossocial e a saúde mental em bebés, crianças, adolescentes, adultos e idosos. A avaliação psicomotora é realizada num setting específico, usando instrumentos qualitativos e quantitativos, para a realização do diagnóstico psicomotor que indica:
 Habilidades psicomotoras,
 Problemas psicomotores e
 Qualidade do movimento em todas as idades.
A intervenção do psicomotricista apresenta como objetivos, no contexto de educação regular, dinamizar sessões de psicomotricidade infantil com intuito de:
o Promover competências psicomotoras e relacionais;
o Observar o perfil psicomotor e
o Possível deteção de atipicidades, dificuldades, características especificas ou fatores de risco que podem constituir um sinal precoce de uma perturbação do desenvolvimento psicomotor.
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Novo Ano Letivo - 7 dicas para o sucesso]]>Lúcia Bragança Paulino, Psicólogahttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2017/09/07/Novo-Ano-Letivo---7-dicas-para-o-sucessohttps://www.clinicadasein.pt/single-post/2017/09/07/Novo-Ano-Letivo---7-dicas-para-o-sucessoThu, 07 Sep 2017 22:29:34 +0000
Com o final das férias, a ansiedade pelo início das aulas começa a fazer-se sentir em cada membro da família. Não só os filhos, mas também os pais sentem aquele nervosismo natural de ver os filhos na escola. Alguns pela primeira vez, outros numa escola nova e ainda os que mantém a escola e os amigos, é sempre um momento de excitação, mas também de nervosismo para todos.
Para as crianças e jovens chega aquele momento em que só pensam em regressar ao convívio com os amigos e à algazarra dos intervalos. Os cadernos novos, os livros com todo um mundo novo por explorar, as mochilas coloridas… Mas como em tudo o que é bom e importante, também há desafios pela frente. Para que o ano corra da melhor maneira e pensando nas várias faixas etárias, aqui ficam algumas dicas para o sucesso:
1ª Dica – BOA ALIMENTAÇÃO
Uma boa alimentação traz imensos benefícios! Melhor capacidade de raciocínio, e de memória, ajuda à concentração e ao desempenho de tarefas. Por isso nunca é tarde para educar os seus filhos a manter uma alimentação saudável e equilibrada. Os horários são fundamentais, pois andar muitas horas de estômago vazio só prejudica a saúde e o desempenho escolar.
2ª Dica – HORAS DE SONO
Tal como a alimentação também o sono é indispensável para o bom funcionamento do nosso cérebro e do nosso corpo. Não existe uma regra igual para todas as crianças e para todas as idades, mas uma boa noite de sono é extremamente importante para todos.
3ª Dica – MATERIAL ADEQUADO E PRÁTICO
É nesta fase que se procuram os materiais escolares e existe toda uma lista exigida pelos professores, mas também pelos filhos. No que diz respeito aos pedidos pelos filhos é importante avaliar se são materiais práticos e duradouros. Dossiers, cadernos, com argolas ou sem argolas, tentem perceber o que melhor se adapta ao ano escolar e às necessidades da criança/jovem.
4ª Dica – ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO PARA O ESTUDO
É de aproveitar o início do ano letivo para criar as melhores condições para o estudo. Um espaço bem organizado e sem demasiados estímulos desnecessários, é fundamental para a concentração e motivação.
5ª Dica – MÉTODO E GESTÃO DE TEMPO
Aliado à organização do espaço vem o método e a gestão de tempo. Estudar apenas na véspera dos testes pode até funcionar para alguns, mas serão uma minoria. Assim, estudar um pouco todos os dias, principalmente a partir do 2º ciclo, é uma regra que ajuda à criação de um método. Os jovens muitas vezes precisam de apoio para a criação de um método – a ajuda do adulto pode ser fundamental na adaptação ao melhor método de estudo.
6ª Dica – PLANEAMENTO MENSAL (a partir do 1º ciclo)
Antes da agenda, um planeamento mensal ajuda muito a manter bem visíveis os vários “acontecimentos”. Sejam eles escolares, desportivos ou até sociais, um mapa mensal pendurado na secretária ajuda à organização do tempo e das tarefas.
7ª Dica – TEMPO LIVRE
O tempo livre é essencial para as crianças e jovens repousarem e criarem novas oportunidades de aprendizagem. Seja sozinho, com amigos ou em família é importante que existam momentos de “pausa à escola” - não ocupe todo o tempo do seu filho com escola e atividades extracurriculares.
Um ano cheio de sucesso!
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